E eu acordei, do mesmo jeito.”

Faço o tipo conformada, mas sei que no fundo sou cabeça dura, osso duro de roer. É muito complexo tentar me convencer em relação a determinados assuntos, pois quando formo um conceito e firmo-o, pra retirá-lo, haja esforços! Mas embora isso pareça maduro, é absurdamente infantil. Sou marrenta e metida á perfeccionista, mas não passo de um acúmulo de erros. Sou tudo aquilo que abomino e isso é estranho demais. Sou completamente assim, um misto de personalidades divergentes, que cabem em mim confortavelmente. As coisas funcionam de maneira anomálica dentro de mim, nada trabalha de maneira padrão. Isso assusta muita gente e deixa muita cabeça enrolada por aí, mas eu já sou acostumada. Nem foi necessário muito tempo pra me adaptar as fases constantes pelas quais sou obrigada a suportar. Meu pessimismo colabora bastante, sou insistente quanto á continuidade do meu eu sem mais mudanças trágicas. Depois de tantas tentativas mal elaboradas e conseqüentemente frustradas, eu desisti de arrancar o que é permanente em mim. Sou desse jeito mesmo e sei que não conseguiria lidar com um novo eu. Convivo comigo desde sempre e até hoje não consigo me entender, se resolvesse mudar assim tão de repente, tudo ficaria mais confuso do que já é. E toda essa confusão é de minha total responsabilidade e culpa, admito sem nenhum problema ou vergonha. Não sou com a maioria por aí, muito pelo contrário, eu sou exatamente o oposto. Sou singular. Meus defeitos predominam e minhas qualidades são praticamente imperceptíveis à maioria, mas eu aprendi a não deixar que isso me atrapalhe. Aprendi na marra que não há como mudar algo que é tão meu. No final das contas, acaba sendo isso meu diferencial dos demais. Talvez seja muito grosseiro denominar-me como alguém cheia de defeitos, mas se tem algo que também transborda em cada canto do meu ser, é isso, grosseria. Pelo menos é o que dizem por ai. Não devo ser tão errada, no final das contas, não sou tão terrível. Sou uma constante bagunça e não cobro a ninguém que venha me organizar, me decifrar. Muito menos cobro que venham cá me entender. Nem eu mesma consegui essa dádiva. Enquanto isso ei de continuar, com esse meu jeito ou melhor dizendo, com essa minha falta de jeito. Desculpas se a minha contradição lhe incomoda, mas é algo que eu mesma fui obrigada a aceitar. Gabi, Julia e Ana Luisa (reprimidas)

Sabe, estou cansada de ser julgada. Não sou puta, muito menos santa, apenas sou mulher e uma mulher livre! Sou o que eu quiser e que se foda, só quero mais ser feliz e tomar posse do que eu mereço. Quero ser tratada como igual, nem superior nem inferior, sou um ser humano como qualquer outro, isso é mais que justo, é obrigatório. Estou cansada de ser inferiorizada ao sexo masculino que são mais valorizados e ganham espaço. Qual é? Mulheres são guerreiras até mais que os homens, já cansamos de provar que não somos o sexo frágil. Mostramos de diversas maneiras que somos capazes de sermos até mais fortes do que os próprios homens. Aguentamos coisas pra lá de ruins sem poder abrir a boca pra reclamar, pra não correr o risco de ser chamada de ‘frágil’. Todas as dores que os homens jamais serão capazes de sentir, enfrentamos com um sorriso no rosto. Somos muitos melhores do que acham que somos. Viver em uma sociedade totalmente machista não implica que eu devo seguir os padrões disso. Eu posso sim viver pra mim, viver pra sair da linha, quebrar as regras, fazer histórias. O que seria da vida de alguém que não tivera histórias para contar no futuro? Quero viver com o riso solto, o sorriso aberto e o pensamento tranquilo. Me desculpe por ser a favor de mim mesma. Me desculpe por não levar adiante esse pensamento retardatário que habitam em todos vocês. Desculpe por ser o diferencial no meio de tantos padrões impostos pelo que chamam sociedade. E eu não me importo que me tachem de egocêntrica, egoísta ou afins. Com certeza, é tudo isso que não me faz decair junto com vocês. Eu defendo o que sou com unhas e dentes e vou contra qualquer conceito que ao meu ver, pareça errático. O que sou ou o que deixo de ser não cabe a ninguém. Não estou incomodando ninguém e espero reciprocidade nessa questão, afinal, quem são vocês pra julgarem alguém? Fisicamente falando, você é igual á mim. Carne, osso e órgãos. Não somos de ferro, mas provavelmente aguentamos bem mais que vocês. Vocês? Trabalho pesado? Atrás dessa pinta toda escondem fraquezas também então não adianta tentar serem superiores. Estamos no mesmo nível, querido. E eu vou até o fim, pelos direitos que me cabem. Michelle, Ana Luisa e Gabi (reprimidas)